domingo, 9 de agosto de 2015

'Não consigo ficar longe deles', diz viúvo pai de quadrigêmeos em Cuiabá

Benjamim, Samuel, Isaque e Ester perderam a mãe horas após o parto.
Bebês nasceram em fevereiro deste ano e mudaram a vida de empresário.

Carolina Holland Do G1 MT 
Sandro Mota com os quadrigêmeos Benjamim, Samuel, Isaque e Ester, nascidos em Cuiabá.
(Foto: Carolina Holland/G1)

Um amor incondicional que atende pelos nomes de Benjamim, Samuel, Isaque e Ester. Esse é sentimento de Sandro Mota, de 45 anos, pelos filhos quadrigêmeos. O nascimento do quarteto, em fevereiro deste ano em Cuiabá, transformou a vida do empresário em todos os sentidos.

Pai de primeira viagem, ele ficou viúvo horas após o nascimento prematuro dos bebês, que tinham apenas 31 semanas e precisaram passar dias internados para ganhar peso antes de finalmente poderem ir para casa. Desde que os pequenos receberam alta, a alegria tomou conta do lar da família.

"Sou muito feliz com meus bebês, são uma bênção na minha vida. Não consigo ficar longe deles, quase não vou mais à minha empresa para não precisar me afastar. E não me sinto cansado, eles me dão disposição", disse o pai, dono de um comércio na Avenida Beira Rio, na capital.


Mas Mota admite que nem sempre tudo é simples - afinal, são quatro bebês para cuidar. "Cada dia é um desafio. Claro que com minha esposa com certeza seria mais fácil. Mas Deus tem nos preparado e dado forças para seguir com essa caminhada", declarou.

A rotina é puxada, mas Mota não está sozinho. Durante o dia, ele conta com a ajuda da mãe, de uma irmã, uma prima e uma babá. A mãe, a irmã e a prima dormem na residência. E, nas noites de sexta, sábado e domingo, uma segunda babá dorme na casa para cuidar dos quadrigêmeos.

Os bebês tomam leite especial a cada quatro horas, além de vitaminas e remédio para refluxo - tudo receitado pela pediatra que tem acompanhado o desenvolvimento deles. Os banhos são dados de manhã e à tarde. Passam boa parte do tempo dormindo e são muito tranquilos, segundo o pai.
Os bebês adoram dormir na rede, conta o pai dos quadrigêmeos de Cuiabá. (Foto: Carolina Holland/G1) 

"Dou banho, troco fralda, brinco, ajudo a fazer a dormir. Engraçado que antes de ser pai eu tinha muito receio de pegar recém-nascidos no colo e fazer essas coisas. Tudo isso mudou", disse o empresário, que afirma que consegue reconhecer o choro de cada um dos filhos, mesmo quando está longe.

As pescarias, que Mota tanto gosta, ficaram escassas após ele ter se tornado pai. A primeira delas após o nascimento dos filhos só foi ocorrer no mês passado. E se antes ele passava dias fora de casa dedicando-se à pesca, agora ele vai e volta no mesmo dia. "Eu até combino de voltar no dia seguinte, mas não consigo. E quando vou, fico ligando de hora em hora para saber como eles estão", contou.

A avó paterna, Joedir Dorileo Mota, de 68 anos, se diz renovada a cada dia. "Eu tinha quatro netos e esse número dobrou de uma hora para outra. Não poderia estar mais feliz, sempre gostei de criança", disse. Ela praticamente mora na casa do filho desde que os quadrigêmeos tiveram alta.
Quadrigêmeos têm uma poltrona só deles, diz pai.
(Foto: Carolina Holland/G1)

"Eu brinco que, para me achar na minha própria casa, só com hora marcada, porque eu fico aqui cuidando dos bebezinhos. Eles precisam, não têm mais a mamãe aqui. Agradeço pela minha vida e pelas vidas deles. Tenho todo o amor pra dar pra eles. É trabalhoso, claro, mas muito prazeroso", disse.

Doações
O nascimento dos bebês seguido da morte da mãe comoveu e mobilizou centenas de pessoas em Mato Grosso e também fora do estado. Prova disso são as doações que a família tem recebido desde fevereiro. Até hoje, por exemplo, Mota diz que não teve gastos com fraldas, roupas e leite - todos frutos da generosidade alheia.

Benjamim, Samuel, Isaque e Ester também ganharam berços e cadeirinhas. Os quatro dormem no mesmo quarto, que mais parece um berçário. Cada berço tem o nome do 'proprietário' e uma bíblia, além de brinquedos.

As doações foram tantas até hoje que o empresário compartilha. Fraldas e leite já foram doados a diversas famílias tanto em Cuiabá quanto em outras cidades mato-grossenses. Também já foram doadas latas e mais latas de leite para os bebês internados no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM). "Não tenho motivo para vender ou manter esses itens aqui sendo que não vamos precisar mais. E sempre tem uma família precisando", disse Mota.
Ester é a única menina entre os quadrigêmeos.
(Foto: Carolina Holland/G1)

Inseminação
Sandro Mota e a mulher, Rosângela, recorreram à inseminação depois que ela teve gestações interrompidas. "Ela engravidou duas vezes, mas o feto ficava sempre na trompa, e não no útero", contou o viúvo. O casal tentou o método artificial duas vezes em 2007, mas nenhuma deu certo.

Depois disso, ambos decidiram que não iriam tentar mais. Até que, em 2014, resolveram arriscar novamente. Foram inseminados três óvulos. "Mas, por ela já estar com 38 anos na época, achamos que viriam, no máximo, gêmeos. Foi uma surpresa quando vimos que eram trigêmeos", conta. Sim, trigêmeos. Nos primeiros exames de ultrassom, os médicos conseguiram ver apenas três bebês. O quarto só foi descoberto depois.

"Estávamos fazendo uma ultrassom quando o médico sentiu os batimentos de um, dois, três... quatro bebês! Foi um susto! O Isaque estava 'escondido', por isso não conseguimos ver antes", contou.
Sandro Mota dá mamadeira para Isaque, o último bebê a
aparecer na ultrassom. (Foto: Carolina Holland/G1)

Morte da esposa
Rosângela morreu menos de 24 horas depois do parto, num hospital particular de Cuiabá. O marido não autorizou a autópsia no corpo e nunca quis saber qual a causa da morte da mulher. "Deus tem um propósito para minha vida e tinha para a vida dela também. Ele é quem sabe de tudo. Quem sou eu para questionar a vontade de d'Ele?".

"Mesversário" e futuro
Por serem ainda frágeis e estarem tomando vacinas, os quadrigêmeos só saem de casa para ir à medica. Mas assim que já puderem passear, o pai conta que pretende levá-los para lugares próximo à natureza. "Fui criado assim e quero que eles tenham contato com isso", afirma.

E, quando estiverem maiores, Mota conta que quer fazer coisas comuns com os filhos, como levar Benjamim, Isaque e Samuel para jogar futebol, e Ester para aulas de balé. "Uma vida simples", disse.

Todo dia 7 a família comemora o 'mesversário' dos quatro bebês. "É uma alegria. Sempre compramos um bolo para fazer uma festinha, só entre nós mesmo. Há muitas razões para celebrar", afirmou o pai.
Wylker Devilart e as filhas Rebecca e Sophia. (Foto: André Souza/G1) 

Pai de gêmeos
Assim como Sandro Mota, o motorista Wylker Devilart da Silva Carreio, de 30 anos, teve a rotina alterada com o nascimento das gêmeas Rebecca e Sophia, e a morte da esposa Marcilene Vilalba Veras após complicações no parto. Os bebês completaram um mês de vida na sexta-feira (7).

“Toda vez que olho as duas eu sei que eu vou ter que me desdobrar e dar duro para conseguir criá-las. Mas eu sei que elas são presentes que a minha esposa deixou, então é sorrir e seguir em frente”, disse. Ele e a mulher já eram pais de uma menina de dois anos.

Após a morte de Marcilene, a família realizou campanhas em redes sociais para arrecadar roupas, fraldas e leite em pó especial para recém-nascidos. E, assim como Mota, Carreio também conta com a ajuda de um verdadeiro mutirão para cuidar das gêmeas, como as cunhadas e os amigos.

Na casa de uma dessas cunhadas, por exemplo, as vizinhas têm se revezado para lavar e passar as roupas que foram doadas. “Eu sei que não estou sozinho e agora o momento é de pensar no futuro", disse o pai.

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