quinta-feira, 24 de setembro de 2015

No Congresso, papa pede fim da pena de morte para os Estados Unidos

Citando personalidades da história americana, como Abraham Lincoln e Martin Luther King, o papa também chamou a atenção para a atual situação dos negros nos EUA
O papa Francisco fez um forte apelo a favor do acolhimento de imigrantes, ao discursar pela primeira vez na história no Congresso dos Estados Unidos. "Não tenhamos medo dos estrangeiros", disse o líder da Igreja Católica. "Nós americanos não tememos os estrangeiros porque muitos de nós já fomos um dia os imigrantes que aqui chegaram", disse o papa em um dos momentos em que foi mais aplaudido pelos congressistas americanos. Lendo seu discurso em inglês, o sumo pontífice fez ainda uma dura crítica a qualquer forma de fundamentalismo e pediu para os países não "imitarem as formas de violência" adotadas por tiranos e assassinos. Após dizer essas palavras, ele pediu o fim da pena de morte nos EUA. "Toda vida é sagrada", disse. Novamente, foi aplaudido.

Citando grandes personalidades da história americana, como o ex-presidente Abraham Lincoln, que aboliu a escravidão, e o líder da luta pelos direitos civis Martin Luther King, o papa lembrou em seu pronunciamento a atual situação dos negros nos Estados Unidos - país que recentemente viveu confrontos e tensões entre a comunidade negra e a polícia em diferentes cidades.

Outros temas presentes em seu discurso foram a defesa do meio ambiente e a crítica aos modelos econômicos atuais, baseados em exploração de recursos naturais e os quais, de acordo com Francisco, provocam situações de desigualdade, fome e pobreza."A luta contra a pobreza e a fome deve ser combatida constantemente de diversas formas, especialmente nas suas causas", disse. "Parte deste grande esforço está na criação e na distribuição de riquezas. O correto uso de recursos naturais, a apropriada aplicação da tecnologia e a capacidade de orientar o empreendedorismo são elementos essenciais para uma economia que tenta ser moderna, inclusiva e sustentável", argumentou o argentino Jorge Mario Bergoglio.

Depois de sua passagem histórica e inédita pelo Congresso em Washington, o papa viajará hoje mesmo para Nova York, onde pronunciará nesta sexta um discurso na Assembleia Geral da ONU e presidirá uma cerimônia ecumênica no local onde ficavam as torres do World Trade Center, derrubadas nos atentados de 11 de setembro de 2001. No sábado, ele viajará à cidade da Filadélfia, última etapa de sua décima viagem internacional.

Sintonia com Obama - Nesta quarta, o presidente Barack Obama e o papa Francisco demonstraram um discurso afinado sobre os desafios mundiais como a imigração e a mudança climática, durante o início da visita do popular pontífice aos EUA, aclamado nas ruas de Washington - cidade geralmente indiferente às personalidades que a visitam. O jesuíta argentino de 78 anos, que pela primeira vez pisa em território americano, começou sua visita sob o lema da defesa dos excluídos e daqueles que são forçados a emigrar, mas também insistiu em continuar o combate à pedofilia.

A menos de 500 dias para o fim do segundo mandato de Obama, o governante conta com o apoio do papa em dois temas prioritários: Cuba e a mudança climática. O presidente agradeceu a Francisco seu "apoio inestimável" na histórica aproximação iniciada em 2014 entre Havana e Washington, destacando que ele levava "uma vida melhor para os cubanos". Sobre a luta contra a mudança climática, prioridade do governo de Obama, o pontífice insistiu em um combate "que não se pode deixar para a próxima geração". E comemorou o plano da Casa Branca para reduzir a contaminação ambiental.


Fonte: JL/Veja

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