quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Brasil ainda é um país machista, diz Maria da Penha


 
Maria da Penha Fernandes lamentou os índices de violência contra a muilher

Conhecida em todo país pela lei que carrega seu nome, Maria da Penha Fernandes concedeu uma coletiva de imprensa na manhã de ontem em visita por Teresina para lançamento da campanha "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres".
Em sua fala, Maria da Penha destacou o trabalho feito pela Prefeitura de Teresina que é sensível à causa e vem desenvolvendo projetos voltados para temática da violência contra a mulher. Um exemplo é o projeto Lei Maria da Penha nas Escolas em cordel, que envolveu mais de 20 mil crianças e adolescente em 2014. "É um trabalho brilhante e louvável, levar informação para crianças é a melhor forma de orientar os futuros adultos e implantar a importância do respeito entre as pessoas".
Ela ainda reforça que o estado brasileiro ainda carrega traços fortes de machismo quando não oferece estrutura adequada a mulheres vítimas de agressão. "A maioria dos pequenos e médios municípios brasileiros não possuem políticas públicas para mulheres, o que deixa as vítimas ainda mais receosas de denunciarem seus agressores", afirma Maria.
Segundo Maria da Penha, nenhuma mulher está livre da violência, seja de qualquer classe social. Ela orienta as mulheres a procurarem informações sobre seus direitos. "Se a sua cidade não tem políticas públicas, ligue para o número 180 e se informe. É o disque denúncia."
Questionada sobre sua coragem em contar a sua história para todo o país, Maria da Penha conta que em alguns momentos achou que sua luta não fosse dar resultados, porém encontrou forças em grupos de outras mulheres que não a deixaram desistir.
"A primeira vez que vi um homem que agrediu uma mulher ser absolvido fiquei profundamente desencorajada, mas o grupo de apoio não deixou que eu desistisse, ainda hoje sou parada em lugares por pessoas que contam a sua história. Não importa a classe social, as agressões acontecem em todo lugar, a diferença é que umas mulheres têm mais apoio e estrutura para registrar o boletim de ocorrência", finaliza.

A Campanha "16 Dias de Ativismo" é uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 06 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

No Brasil, além dos movimentos de mulheres, a Campanha dos 16 Dias de Ativismo recebe adesões institucionais, como Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, da Procuradoria da Mulher no Senado, da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, do Ministério da Justiça, do Ministério da Saúde, dos Juizados e dos Núcleos do Ministério Público

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