segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vale admite que recuperar estragos feitos por lama levará 'vários anos'

"Precisamos convencer a sociedade de que podemos operar de formar segura e que podemos limpar os danos. Este é o primeiro passo a ser dado", afirmou Siani, 
 
A Vale admitiu que a remediação dos estragos provocados pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) vai levar "vários anos". Em teleconferência com analistas, o diretor de relações com investidores da Vale, Luciano Siani, disse também que a conclusão sobre as causas do acidente deve levar "muitos meses". 

"A Samarco acaba de contratar uma empresa renomada da Bélgica para avaliar a extensão do dano e a extensão dos esforços necessários para limpar o rio. Acreditamos que vai levar vários anos para uma limpeza completa, considerando ainda que qualquer trabalho terá que ser aprovado pelas autoridades competentes", afirmou. 

A Vale divide o controle da Samarco com a BHP e promoveu, nesta segunda-feira (16), Teleconferência com analistas para falar dos impactos do acidente sobre suas finanças. 
Segundo Siani, ainda não é possível ter uma avaliação detalhada da extensão do dano e os trabalhos realizados pela empresa especializada vão contribuir na elaboração de um plano de recuperação de longo prazo. 

O executivo defendeu que o retorno das operações da Samarco antes da limpeza completa ajudaria o processo de remediação, ao permitir a geração de receita para sustentar os custos de reconstrução e limpeza de áreas afetadas. Ele disse que a empresa pode apresentar alternativas técnicas ao uso de barragens, como o tratamento do minério a seco ou o depósito de rejeitos na cava da mina de Germano. 

"Precisamos convencer a sociedade de que podemos operar de formar segura e que podemos limpar os danos. Este é o primeiro passo a ser dado", afirmou Siani, repetindo o discurso feito pelo presidente da Vale, Murilo Ferreira, de que o retorno das operações da Samarco depende do "desejo da sociedade". 

Ele argumentou, porém, que a empresa tem papel importante tanto na economia local, gerando 5,2 mil empregos, como na balança comercial brasileira -é a 10ª maior exportadora do país. 
"Até que eventualmente recupere as licenças de operação, a Samarco tem condições de gerar caixa por serviços e venda de energia, que seria aproximadamente um valor equivalente aos seus custos fixos minimizados", informou o diretor financeiro da Vale, acrescentando que não há grandes dívidas vencendo antes de 2018. 

As indenizações e multas, porém, podem se tornar um problema para a companhia, disse ele. O seguro para cobertura de responsabilidade civil da Samarco não cobre nem o valor das primeiras multas aplicadas pelo Ibama, da ordem de R$ 250 milhões. 

"Posso dizer que a apólice contempla um valor expressivo no que diz respeito ao seguro de risco operacional, ou seja, recomposição dos danos materiais [na mina] e de interrupção do negócios. Mas com relação à responsabilidade civil, é bem inferior ao que vem sendo discutido como indenização, inferior inclusive às multas aplicadas pelo Ibama", afirmou o executivo, em teleconferência com analistas. 

Siani repetiu que o foco neste momento é tentar mitigar os impactos do acidente. A Vale enviou maquinário pesado para remover a lama de Bento Rodrigues e promete levar água a comunidades atingidas. 

Ele informou ainda que a Vale realizou uma vistoria adicional em suas barragens após o acidente e considera que as condições de segurança são adequadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...