quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

RÁDIOS: Técnico tira dúvidas sobre transição de faixa AM para FM




Após a publicação do decreto do governo Federal sobre a migração de rádios AM para FM, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV, a ABERT, recebeu ligações de inúmeros radiodifusores que tinham dúvidas em relação à mudança. Uma das perguntas mais frequentes era o motivo pelo qual a troca seria feita. O coordenador geral de radiodifusão comercial do ministério das Comunicações, João Paulo Andrade, explica que no início das transmissões a faixa AM era exclusiva, porém começou a sofrer interferências, causando uma perda de ouvintes para as rádios dessa faixa.

SONORA: João Paulo Andrade, coordenador geral de radiodifusão comercial do ministério das Comunicações


“O áudio no FM, de fato, é melhor que no AM. Então, esse foi o motivo pelo qual as entidades vêm pleiteando isso há algum tempo. Por que o FM é melhor? Não é que o equipamento é melhor, é a faixa de frequência. Então, aquele sinal que estava sendo utilizado só para transmissão de AM começou a receber muitas interferências pela própria urbanização. E aí, o ouvinte começa a ter aquela sensação de ruído e chiado. E com o aumento das rádios FM, naturalmente o que houve foi uma troca de escolha. Então aquele ouvinte que estava acostumado com a rádio do AM, percebendo que no FM ele teria uma qualidade melhor de áudio, ele acaba escutando mais a rádio FM. Assim, as rádios AM começaram a perder ouvintes, e perdendo ouvintes, eles perdem também anunciantes.”

REPÓRTER: De acordo com o ministério das Comunicações, as emissoras vão precisar fazer uma troca de todos os equipamentos, o que inclui transmissores, antenas e equipamentos auxiliares. João Paulo Andrade explica ainda que os equipamentos da rádio FM não são melhores que os de rádio AM, mas sim a faixa de frequência de cada uma.

SONORA: João Paulo Andrade, coordenador geral de radiodifusão comercial do ministério das Comunicações

“A tecnologia de FM é bem diferente da tecnologia AM. Então, em alguns casos, haverá necessidade da adaptação de estúdios, para que a modulação seja feita de forma adequada. Não será em todos os casos, mas em boa parte. Cada entidade vai buscar essa adaptação, cada rádio vai promover a sua troca de equipamentos e fazer sua avaliação de investimentos. Essa migração, inclusive, não é obrigatória. Muitas entidades vão permanecer no AM, principalmente no serviço regional, em que o alcance continua sendo interessante a essa entidade, porque ela consegue manter uma qualidade de transmissão.”

REPÓRTER: O custo do boleto de migração, que deve ser pago ao governo, fica entre oito mil e quatro milhões de Reais, dependendo do alcance que a rádio possui. De acordo com o coordenador geral de radiodifusão comercial do ministério das Comunicações, João Paulo Andrade, os custos são justos e compatíveis com a realidade da população que recebe a emissora.

SONORA: João Paulo Andrade, coordenador geral de radiodifusão comercial do ministério das Comunicações

“A gente também levou em consideração a potência da rádio e o alcance que ela vai ter naquela determinada região, atingindo uma quantidade x de população. Então tudo isso foi considerado, a chegar a um valor que fosse justo e compatível com a realidade do mercado. Então eu não diria que serão custos absurdos. São custos significativos e compatíveis com o serviço pelo qual a entidade está fazendo essa migração.”

SONORA: O período de pagamento do boleto de migração começa no dia 25 de fevereiro e vai até 25 de maio do próximo ano. De acordo com o decreto, as emissoras precisam apresentar o mesmo conteúdo de antes da transição da faixa AM para FM.



Reportagem, Sara Rodrigues 

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