quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

'Microcefalia não é o fim', diz mãe que comemora as conquistas do filho

Gessiane e o filho são da Bahia, mas se mudaram para Campinas (SP).
Pelas redes sociais, ela se uniu a outras mães para troca de experiências.

“Microcefalia não é o fim. Somos contra o aborto”. A afirmação é da Gessiane Barbosa da Silva Oliveira, mãe de Jhon, garoto de 5 anos, com microcefalia de causas ainda desconhecidas e que vive em Campinas (SP). Com estímulos e tratamentos, o menino tem conquistado vitórias ao longo dos anos. Com 14 meses ele já andava sozinho. “Com um 1 e 6 [meses] ele falou mamãe. Daí já foi progredindo”, recorda a mãe.

Jhon não tem problemas motores, brinca como outras crianças e anda sozinho de bicicleta, mas apresenta problemas na fala. “Quando a criança é muito estimulada, faz terapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia vai tendo um desenvolvimento muito melhor”, explica o neurologista Luís Eduardo Belini.
Com um 1 e 6 [meses] ele falou mamãe. Daí já foi progredindo"
Gessiane Barbosa da Silva Oliveira, mãe de Jhon

A mãe ressalta que após a última avaliação feita em dezembro de 2015, os especialistas afirmaram que Jhon vai falar. “Vai ser no tempo dele”, completa Gessiane. Ano que vem, o garoto vai para a escola.

Preconceito
Os novos casos de microcefalia no país associados ao vírus da zika aumentaram os casos de preconceito com crianças e seus familiares. Gessiane conta que não gostou da forma que foi abordada na rua recentemente por um desconhecido. “Moça, ele tem a doença do mosquito?”. Ela respondeu que não. “Microcefalia é uma condição neurológica, não é uma doença. Doença é câncer, uma virose, isso é doença”, explica Gessiane.

A medicina aponta que a microcefalia pode ser causada por rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, abuso do álcool ou drogas durante a gravidez ou possivelmente pelo vírus da zika. A mãe de Jhon descobriu a microcefalia no sétimo mês de gravidez, quando ainda morava na Bahia.
Mãe e filho brincam em parque infantil em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)

Redes sociais
As redes sociais também têm auxiliado no desenvolvimento de Jhon, segundo a mãe dele. Ela faz parte de um grupo de mães de todo o país que trocam experiências. Ela só criou coragem para falar da condição do filho após ver as centenas de mensagens e compartilhamentos de outras famílias.

“Todos os dias eu aprendo uma coisa nova. Tiro dúvidas e, por incrível que pareça, consigo ajudar outras mães”, afirma Gessiane.

Uma família de Manaus (AM) tem duas filhas adolescentes com microcefalia. As mães conversam via internet. Ambas lutam contra o preconceito e são contra o aborto.

Em São Paulo
Segundo Secretário Estadual de Saúde, David Uip, os casos de microcefalia no estado de São Paulo somam 126 desde novembro de 2015, mas apenas 21 deles estão ligados ao vírus da zika.

A malformação pode ter outras causas, como uma das DSTs, sífilis, e o vírus da herpes, além de causas não-infecciosas, como as síndromes genéticas, intoxicação por metais pesados, abuso de álcool, fumo e de drogas ilícitas.

Qualquer pessoa pode conseguir mais informações sobre microcefalia pelo número 136 do Disque-Saúde ou no site do Ministério da Saúde. Clique aqui para acessar.
Jhon é um dos casos de microcefalia no país, cuja causa nunca foi identificada (Foto: Reprodução / EPTV)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...