sábado, 26 de março de 2016

Lava Jato corre perigo: Odebrecht – ‘democracia vendida e comprada’

Hoje, poderá se repetir com a Lava Jato? Pode, sim! Que não duvidemos de nada! Os políticos não mudaram e a política nacional permanece a mesma
 
por Miguel Dias Pinheiro, advogado
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Uma verdadeira “bomba” poderá estourar a qualquer momento na investigação da Lava Jato. Com informações nacionais privilegiadas, a jornalista Mônica Bergamo anuncia um novo “listão” da Odebrecht que poderá incluir membros do Poder Judiciário, militares e do Ministério Público. Segundo ainda a jornalista, estaria em curso, inclusive, uma “operação abafa” para a nova “devastação” da contabilidade fictícia da empreiteira.
 
Se a “Operação Lava Jato” foi gestada nos moldes da “Operação Mãos Limpas”” (Mani Pullite) da Itália, então se comprovada a participação de autoridades flagradas com a corrupção e com a lavagem de dinheiro será um bom teste para se saber realmente quais os objetivos desse combate à corrupção no Brasil. Saberemos, enfim, que não é – e nem será - uma investigação seletiva, apenas contra um lado político-partidário-nacional. E se for, fechem a “Lava Jato”!
Há 12 anos, como nos conta Kelli Kadanus, o juiz federal Sérgio Moro escreveu um artigo sobre a “Operação Mãos Limpas” da Itália. Na época, em 2004, Moro concluiu que o caso italiano poderia vir a ter uma versão nacional. “No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de ação judicial semelhante” - disse.

Em que pese dizer que a “Mãos Limpas” poderia ser como exemplo, a semente no Brasil já havia sido plantada pelo próprio juiz: o “Escândalo do Banestado”. O maior escândalo de corrupção no país, com um “rombo” de aproximadamente R$ 180 bilhões de reais.
 Atualizado para os dias atuais, representaria aproximadamente R$ 1 trilhão de reais, que na época contaminou a nobreza política nacional do sul ao sudeste. Porém, para infelicidade geral da Nação, não deu em absolutamente nada. A não ser condenações de pessoas do “baixo clero”. Os criminosos Alberto Youssef, Marcos Valério, Toninho da Barcelona e Nelma Kodama, a doleira do dinheiro na calcinha, entre outros, tiveram seus nomes vinculados àquele “esquemão”. Se tivessem sido punidos exemplarmente com os empreiteiros e os políticos denunciados, a maioria da nobreza paulista, carioca, paranaense e mineira talvez não tivesse nem inventado o “mensalão” e a Lava Jato.
O doleiro Alberto Youssef, por exemplo, hoje preso na Lava Jato, era um velho conhecido do “Escândalo do Banestado”. Naquela corrupção também desencadeada no Paraná ocorreram delações premiadas e acordos de cooperação internacional foram realizados. Mas, tudo foi enterrado de forma acintosa na transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o governo Lula.

Hoje, poderá se repetir com a Lava Jato? Pode, sim! Que não duvidemos de nada! Os políticos não mudaram e a política nacional permanece a mesma. Afinal de contas, começaram a aparecer novas listas da Odebrecht apontando para praticamente os mesmos do “Escândalo Banestado”, da tríade Rio-São Paulo-Minas, que agora são reforçadas pela “lama” envolvendo autoridades constituídas em diversas instituições.
Em seus despachos e sentenças, Moro usa como referência a operação italiana para defender a colaboração premiada de réus nos processos da Lava Jato. Ainda em suas decisões, o juiz tem se reportado constantemente para o que ele chama de “grito da sociedade”. Segundo alerta, tanto na Itália quanto no Brasil parece que o cidadão comum cansou do negócio viciado. Apenas com um detalhe: na Itália os vícios continuaram. E até em maior número, inclusive envolvendo autoridades da “Mãos Limpas” que foram picadas pela “mosca azul” da política partidária. E no Brasil? Bem, somente o tempo vai dizer. Claro!

Com um olhar crítico, o professor em Direito Fundamental e Democracia pela Unibrasil, Rodrigo Faucz, alerta para uma possível consequência negativa da Lava Jato e que precisa ser evitada. “O crime é refinado, ele se reinventa, ele fica cada vez mais inteligente. Na Itália isso aconteceu e o meu medo é que aqui no Brasil isso poderia acontecer também”, diz. No Brasil, avaliam especialistas, é cedo ainda para se falar quais consequências a Lava Jato poderá deixar. “A história vai dizer se a Lava Jato acabou trazendo algo efetivamente de positivo ou não” - avalia Faucz.
Assim, é deveras preocupante a informação divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, de que estaria em curso no país uma “operação abafa” devido aos novos “listões” abrangentes e explosivos que podem advir da Odebrecht, que denotam, provam e comprovam que há tempos o Brasil estava convivendo com uma “democracia vendida” e uma “democracia comprada” por políticos e empresários, respectivamente.

Pelo menos por tudo o que já contribuiu de positivo para a sociedade brasileira, 
 Pelo menos por tudo o que já contribuiu de positivo para a sociedade brasileira, com certeza a Lava Jato cumpriu a sua maior e melhor tarefa: desnudou o empresariado e despiu vestais da política nacional.

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