sexta-feira, 11 de março de 2016

PMDB e Teresina não se entendem

De 1988 até os dias de hoje, 28 anos depois, nunca mais o PMDB se entendeu com Teresina


por Miguel Dias Pinheiro, advogado

C
om o texto, não pretendo opinar e nem influir sobre qualquer discussão ou decisão a ser adotada e tomada quanto à sucessão municipal de 2016 em Teresina. Os dados a seguir expostos são apenas para conferência da memória e registro histórico no campo político da capital, no qual tive o prazer de participar ativamente desde 1977, logo após o falecimento do meu avô, Honestílio Gonçalves Dias, um líder político que fez história na cidade de Luzilândia durante mais de 48 anos, para seguir os passos de Wall Ferraz.
Os anais registram que os dois últimos prefeitos do PMDB em Teresina foram Wall Ferraz e Heráclito Fortes. Em 1985, Wall foi consagrado nas urnas na primeira eleição direta para o cargo findo o Regime Militar de 1964, tendo como candidato a vice o jornalista e ex-deputado estadual Deoclécio Dantas, todos de saudosa memória. Em sua nova gestão como alcaide, Wall rompeu sua aliança com o então governador Alberto Silva e liderou uma dissidência partidária que fez do hoje deputado federal Heráclito Fortes seu sucessor, em 1988.
Concluído o ciclo, Wall Ferraz coordenou a campanha de Ulysses Guimarães à presidência da República, em 1989. Porém, suas divergências com o diretório regional do PMDB comandado por Alberto Silva o fez ingressar no PSDB e levar consigo todo o seu grupo político, que acabou construindo uma identidade político-administrativa de respeitabilidade histórica com Teresina.
Em 1992, já rompido com Heráclito Fortes, o ex-prefeito Wall Ferraz conquistou o seu terceiro mandato de prefeito da capital, falecendo em 22 de março de 1995 em face de um acidente vascular cerebral.
De 1988 até os dias de hoje, 28 anos depois, nunca mais o PMDB se entendeu com Teresina. O desentendimento se agravou em 1996, quando, após a morte de Wall Ferraz em 1995, o ex-governador Alberto Silva entendeu de ser “prefeito eleito” antes mesmo da deflagração do processo eleitoral daquele ano. Alberto tinha deixado o governo do Estado com baixíssimos índices de popularidade e acabou prejudicando sobremaneira sua imagem de homem público em Teresina. Alberto Silva e seu PMDB não perceberam que tinham perdido a confiança do eleitorado e da população da capital. Em 1996, Alberto Silva entendeu, de forma equivocada, que não tinha sequer um adversário à altura para concorrer com ele naquele ano eleitoral. Aventurou-se e perdeu a oportunidade de se tornar prefeito de Teresina, seu grande sonho. A máxima “Alberto Silva e Teresina se entendem” era “enterrada” para sempre!
Três fatores permitiram que Teresina se desentendesse definitivamente com Alberto e o PMDB: primeiro, a arrogância do ex-governador, que se considerou um “prefeito eleito” antes do tempo, subestimando os tucanos em Teresina; segundo, o desastroso governo dele à frente do Palácio de Karnak; e, terceiro, a possibilidade da “turma do PMDB” tomar de “assalto” (desculpem o termo, mas era a expressão pronunciada na época) a Prefeitura de Teresina, causando-lhe um desequilíbrio financeiro imenso e insuperável, como tinha ocorrido com o “desastre” nas finanças do Piauí.
Em 1996, um jovem desconhecido que exercia o cargo de secretário de Finanças da Prefeitura de Teresina, Firmino Filho, hoje prefeito eleito pela terceira vez, lançou-se candidato e venceu Alberto Silva na prorrogação do tempo final. Na época, a população da capital respirou e suspirou aliviada: “salvamos Teresina da “turma do PMDB”. Exibiram até faixas nos bairros da capital comemorando o feito. Na campanha eleitoral, os tucanos cunharam a frase “quem atrasa, não adianta”, que ficou celebrizada para lembrar e relembrar a mínima que seja a possibilidade de um dia a Prefeitura de Teresina “quebrar” com uma ação nefasta da “turma do atraso”.
Daquela época até hoje, Teresina criou uma espécie de ojeriza ao PMDB, quando o assunto é governar Teresina. Os tucanos da capital sabem disso como ninguém. E como sabem! O hoje senador Elmano Férrer, então prefeito de Teresina, foi advertido sobre esse “desentendimento” de Teresina com o PMDB quando se lançou candidato à reeleição em 2012 e acabou aceitando a indicação de um nome do PMDB como candidato a vice na chapa. Deu no que deu. Não foi, claro, a única circunstância que possa ter inviabilizado a reeleição do então prefeito Elmano Férrer, mas contribuiu bastante e significativamente.
Não custa relembrar aquele erro político de se colocar na chapa como vice de Firmino Filho o então vereador Marcos Silva, do PMDB, no processo da reeleição de 2000. E não havia necessidade daquilo, porque naquele período Firmino Filho não tinha nem adversário à altura, competitivo, dado seu desempenho político-administrativo. Resultado: o tucano não teve como se afastar do mandato para se candidatar a governador, por exemplo. Quando o assunto era a possibilidade do generoso e bom amigo “Marcão” (de saudosa memória) assumir a Prefeitura de Teresina, o “mundo desabava”, a população teresinense entrava em pavorosa. Não só pelo “Marcão”, mais pelo PMDB.
Reconheça-se, na oportunidade, que devemos tratar o PMDB como o maior partido político do Piauí. Afinal, reconheça-se também sua grandeza histórica em todo o estado. Mas, com todo o respeito aos seus membros e simpatizantes, como ex-peemedebista tenho conhecimento de causa e de perto da história político-administrativa de Teresina desde sua primeira eleição direta pós-ditadura militar, quando atuei em defesa e empunhando a bandeira do saudoso Wall Ferraz e de seu grupo político, todos dentro dos quadros do PMDB. Aliás, Alberto Silva foi o primeiro candidato a governador do Piauí em quem votei naqueles tempos áureos, tempos dourados do maior idealista do Piauí. Era vibrante! Por isso, conheço a história, tanto de um lado como do outro.
Egresso do PDMB, quando aportei no PSDB ainda no seu nascedouro, uma frase produzida pelo ex-prefeito Wall Ferraz mostrava-me claramente a “sina” PMDB/Teresina, além de incutir-me muita preocupação. Dizia o professor: “Teresina se apavora com a possibilidade de um dia ser governada pelo PMDB”. Portanto, para um bom entendedor, meia palavra basta!



Fonte: JL

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