quarta-feira, 18 de maio de 2016

Oito capitais têm ocupações contra fim do Ministério da Cultura

Sedes da Funarte em São Paulo (foto), Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram tomadas por ativistas

 
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rédios públicos de ao menos oito capitais estão ocupados na tarde desta terça-feira (17) por manifestantes contrários à extinção do Ministério da Cultura, incorporado à pasta de Educação no governo interino de Michel Temer (PMDB).
Sedes da Funarte (Fundação Nacional de Artes) em São Paulo (foto), Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram tomadas por ativistas acampados.
Na capital paulista, onde o prédio fica na alameda Nothmann, em Campos Elíseos, o ato foi organizado por membros de movimentos culturais e militantes ligados ao PT. Com pernas de pau e instrumentos musicais, o grupo entoa cantos como "ô abre alas, deixa a arte passar" no local.
No Rio, cerca de 50 pessoas estão acampadas desde a tarde de segunda (16), no salão mais importante do Palácio Gustavo Capanema, prédio histórico no centro do Rio que abriga painéis de Cândido Portinari.
A ação foi promovida por coletivos culturais e também por integrantes da Frente Brasil Popular e da CUT, contra o fim do MinC e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Uma assembleia da qual participaram cerca de 400 pessoas foi realizada no domingo (15) na sede da Funarte em Belo Horizonte, no bairro Floresta. Parte do grupo, que inclui artistas e ativistas da área cultural e de movimentos sociais, ainda ocupam o local em protesto.
NORDESTE
Em Salvador, um grupo de artistas, estudantes e membros de coletivos culturais ocupa desde às 11h a sede da Fundação Palmares, no Pelourinho, onde funciona a representação regional do MinC.
Em carta aberta à sociedade, os manifestantes dizem que a ocupação pretende demonstrar uma "insatisfação generalizada" com o governo do presidente interino e afirmam que não veem legitimidade na posse de Temer, nem na extinção e fusão de ministérios.
"As primeiras falas, as primeiras ações, a estética e as primeiras posturas deste governo apontam na direção do retrocesso, do autoritarismo, da austeridade, da violência institucional e desrespeito às conquistas históricas de espaços de diálogo com a sociedade", dizem os militantes.
Entre artistas que participam da ocupação está o músico Leiteres leite, fundador e integrante da Orkestra Rumpilezz. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Leite diz considerar o fim do ministério da Cultura um "retrocesso grotesco".
A ocupação é por tempo indeterminado e os manifestantes mobilizam-se por doações de alimentos, água e colchonetes.
Também há protesto em Fortaleza, onde a Frente Nacional de Teatro ocupa a sede do Iphan (Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional). O grupo também divulgou uma carta aberta, em que diz que a extinção e o controle da cultura é "característica dos regimes ditatoriais".
"A cultura é tão fundamental quanto saúde, transporte, educação, e, portanto, deve ser prioridade em um projeto de país efetivamente democrático", afirmam os manifestantes.
MAIS PROTESTOS
O Teatro Oficina, de São Paulo, divulgou nas redes sociais um manifesto contrário à extinção da pasta de cultura e convidou produtores culturais, artistas e trabalhadores da área para um debate sobre o assunto no local, a partir das 18h desta terça.
Estão marcados ainda atos contra o governo Temer e o fim do ministério na capital paulista para esta terça, às 17h, no vão do Masp; quarta (18), às 18h, na praça Roosevelt; quinta (19), às 18h, no largo São Francisco e sexta (20), às 13h, na Assembleia Legislativa.


Fonte: JL/Folhapress

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