sexta-feira, 15 de julho de 2016

Estudantes têm projeto inusitado no PI: "Não faça filhos, leia um livro"

Para alertar sobre gravidez precoce, alunos se tornam 'pais' de pintinhos

U
m projeto inusitado tem alertado jovens estudantes de uma escola pública na Zona Norte de Teresina sobre as consequências da gravidez precoce. Titulado como "Não faça filhos, leia um livro", os alunos participam de um experimento no mínimo diferente. Divididos em casais, os estudantes terão que cuidar de um pintinho durante dois meses e vivenciar uma experiência mais real sobre as dificuldades e responsabilidades de ser pai ou mãe ainda na adolescência.

O projeto funciona no Centro Estadual de Educação Profissional Prefeito João Mendes Olímpio de Melo, mais conhecido como Premen-Norte.

Conforme a professora Lessandra Ribeiro, a ideia surgiu depois que ela percebeu que  10 a 15 estudantes na faixa etária entre 15 e 17 anos surgem grávidas na escola todos os anos.

No experimento, os alunos precisam acompanhar o "filho" e fazer todas as anotações em um cartão de vacina com as medidas de peso e altura registrando o desenvolvimento do seu "bebê". Ao final, eles terão que entregar um relatório ao professor. O pintinho será devolvido à professora e estes serão levados a um sítio.
Quem está passando pelo experimento conta como é o dia a dia de cuidar do pinto.

"Dá muito trabalho, você tem que dar comida, colocar para dormir, ficar de olho. Realmente dá para imaginar como seria cuidar de um filho porque eu precisei deixar de fazer muitas coisas para poder cuidar dele (do pinto). O projeto realmente conscientiza sobre as dificuldades de se ter um filho de verdade", contou a estudante de 15 anos, Hanna Beatriz Sales Andrade que faz o 1º ano.

Ela cuida do Léo Júnior ao lado do colega de classe Romão Gabriel Lopes da Silva, que também tem 15 anos. Os dois simulam uma guarda compartilhada. Enquanto Hanna fica durante a semana, Romão cuida do "bebê" nos fins de semana.
Dá para imaginar como seria cuidar de um filho porque eu precisei deixar de fazer muitas coisas para poder cuidar dele (do pinto). O projeto realmente conscientiza sobre as dificuldades de se ter um filho de verdade
Hanna Beatriz, 15 anos, estudante.
"É um grande desafio porque você tem que ficar atento, dar carinho, se dedicar. Já estamos com ele há umas duas semanas, mas parece que foram meses, porque dá muito trabalho. Mas com certeza, mesmo com pouco tempo, já deu para entender o recado de que é preciso evitar a gravidez na adolescência", contou.

Diferente é o caso de uma adolescente de 16 anos entrevistada pelo G1 que vive a realidade de cuidar de um filho de verdade. Mãe de um menino de nove meses, a jovem que cursa o 3º ano do ensino médio conta que ficou em pânico quando descobriu que estava grávida. Ainda estudante, ela disse que teve que cortar muita coisa da sua juventude para cuidar do filho.

"Fiquei em pânico. Foi uma surpresa muito grande saber que teria um filho. Vejo o quanto é difícil cuidar de uma criança. Tive que me abster de sair com os amigos, tive que começar a trabalhar e dividir meu tempo com os estudos. Então ficou muito complicado. Por um lado, eu voltaria no tempo por conta das dificuldades que a gente enfrenta, mas por outro não, porque eu amo meu filho", contou.


Fonte: JL/G1PI

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