quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Líderes apostam em quórum alto na votação que vai decidir futuro de Cunha

“A decisão será por esmagadora maioria pela cassação”, afirmou Rubens Bueno (PR), líder do PPS. Segundo ele a bancada está totalmente mobilizada e votará unida contra o parlamentar

Lideres partidários na Câmara apostam em quórum de mais de 400 parlamentares na próxima segunda-feira (12), para a votação que vai decidir o futuro político do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Notificado hoje (8), pelo Diário Oficial da União, sobre a sessão agendada para as 19h, o peemedebista busca ampliar seu apoio e enviou cartas a diversos aliados em que reafirma sua inocência e contextualiza todo o processo iniciado desde sua eleição para a presidência da Câmara. Apesar da iniciativa, a aposta, nos corredores da Casa, é de que Cunha não conseguirá salvar seu mandato.
“A decisão será por esmagadora maioria pela cassação”, afirmou Rubens Bueno (PR), líder do PPS. Segundo ele a bancada está totalmente mobilizada e votará unida contra o parlamentar.
Para Pauderney Avelino (AM), líder do DEM que estava com uma das cópias da carta em mãos, mesmo com o apelo de Cunha e o tom “emocionado” do documento não há outro cenário possível: “A carta traz uma carga emocional muito grande e pede inclusive perdão por alguns erros, mas esta é uma questão política e não acredito que terá reversão de votos. Todos sabem a importância dessa votação para o país. O Brasil está de olho. Não devemos ter dificuldade para o quórum”, disse.
Para Avelino, nem a estratégia de tentar replicar a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (fatiada no Senado e para decidir sobre perda do cargo e perda dos direitos políticos) surtirá resultado. “O que aconteceu no Senado não deve se repetir aqui na Câmara. Foi uma gambiarra da Constituição. É vedado fatiar da forma como foi feito. Deveremos nos ater ao Regimento [da Casa] e à Constituição. [O presidente da Câmara, Rodrigo] Maia deve seguir o Regimento da Casa e não se afastar do rito constitucional”, apostou.
A última investida de Cunha para tentar evitar o voto de 257 deputados - mínimo necessário para sua cassação - será a presença dele no plenário da Casa no dia e momento da sessão. A vinda do peemedebista já foi confirmada por usa assessoria mas ainda não há garantia de que ele terá o direito de usar a palavra. Eduardo Cunha virá com o advogado Marcelo Nobre que foi o responsavel por sua defesa durante toda a tramitação do processo.
Histórico
Cunha responde, desde outubro do ano passado, a um processo por quebra de decoro parlamentar por ter mentido sobre a titularidade de contas no exterior. Depois da tramitação por quase oito meses, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, em junho, a cassação do mandato do peemedebista, por 11 votos a nove.
O parlamentar que nega ser o titular destas contas e argumenta que é apenas usufrutuário de um trust, tentou recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para reverter o resultado, mas não teve sucesso. O parecer sobre o mandato do peemedebista, que renunciou à presidência da Câmara apenas em julho, está pronto para o plenário desde o final do primeiro semestre.

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