terça-feira, 15 de novembro de 2016

Oposição no Piauí faz “curso de escutatória”

Wellington Dias tem conquistado suas eleições para o Palácio de Karnak – repita-se – devido a esse “vácuo político” deixado pela oposição

por Miguel Dias Pinheiro, advogado
 
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onhecido por sua habilidade política, o governador Wellington Dias inicia sua nova estratégia para buscar pela quarta vez o comando do Palácio de Karnak, em 2018. Sem um líder de oposição destacado e aguerrido para enfrentá-lo, o petista busca formar talvez a mesma base de aliança que o alçou na primeira reeleição conquistada.
Para se eleger em 2014, estrategicamente o governador petista - à época senador - declarou-se oposicionista sabendo que a vaidade do então governador Wilson Martins não o deixaria recuar da possibilidade de ser senador, entregando o governo ao vice Zé Filho.
Wellington Dias sabia que a candidatura Marcelo Castro jamais emplacaria com Zé Filho no comando do Piauí. Naquela época, como nenhum candidato de oposição partiu em busca da “vontade das ruas” para se contrapor ao governo central petista, empunhando a bandeira do “voz das ruas”, Wellington Dias preencheu o “vácuo político” de opositor a Wilson Martins e a Zé Filho.
Hoje, ao contrário de outras eleições, Wellington Dias tem um problema a ser superado: o desgaste e a falta de perspectiva para um arejamento e um fortalecimento do PT. Até 2018, a tendência é que o partido sofra o chamado “tiro de misericórdia” na política nacional.
Mesmo diante desse quadro, ainda assim o nosso governador é um candidato duríssimo a ser vencido. Primeiro, porque é um estrategista de primeira linha. Segundo, porque não tem ainda um nome na oposição capaz de enfrentá-lo. Um homem, não um embusteiro!
Wellington Dias tem conquistado suas eleições para o Palácio de Karnak – repita-se – devido a esse “vácuo político” deixado pela oposição.
Em 2014, infelizmente, não tive a oportunidade para mostrar que Sílvio Mendes seria o governador do Piauí. E tinha razão e uma explicação bastante plausível. Se o tucano tivesse se decidido a ser candidato, com a renúncia de Wilson Martins para ser candidato ao Senado e a desistência da candidatura Marcelo Castro, seriam quatro os concorrentes em primeiro turno: Wellington Dias, Sílvio Mendes, Zé Filho e Mão Santa.
Faço questão de colocar nessa ordem a posição dos candidatos, porque acreditava – como ainda hoje acredito - que o PSDB e a aliança que poderia ser formada em torno de Sílvio não teria menos do que 30% dos votos válidos. Com esse percentual, o segundo turno da eleição de 2014 estaria garantido. Com um detalhe: a soma dos percentuais dos candidatos concorrentes somariam maior percentual do que Wellington Dias.
Atualmente, no meu pensar, após sucessivas conquistas de Wellington Dias, parece que a oposição perdeu o “glamour”. Aqui relembro um ensinamento do ex-petista Chico Alencar, deputado federal pelo Rio de Janeiro, segundo o qual “a dinâmica política não comporta milagres, mas registra mudanças de postura, ao menos por espírito de sobrevivência. Os dirigentes brasileiros estão submetidos a um curso intensivo de "escutatória".
É verdade! Transportando-se para o caso do Piauí, a oposição faz há algum tempo um verdadeiro “curso de escutatória”. Não se move para nada. Emudeceu! E Wellington Dias segue planando em “céu de brigadeiro”. Nem o pessimismo que fez o governo Dilma afundar de vez é – ou será - capaz de alterar o quadro por aqui, justamente por escassez de uma liderança oposicionista.
Não estou sendo injusto, porque reconheço a habilidade política do governador Wellington Dias. Mas, sua permanência quase que ininterrupta no Palácio de Karnak pode, sim, ser debitada também à mediocridade da oposição. Uma mediocridade que chega a ser “elogiosa” pelo próprio governo! Uma oposição inofensiva. Isso porque diante da covardia até os medíocres são considerados vencedores. É incrível, mas ganham todos!



Fonte: JL

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