terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Cientistas contestam existência de água líquida em Marte

As chamadas linhas escuras, descobertas por pesquisadores da Nasa, podem ter se formado sem presença de água

D
escobertas em 2011, as linhas escuras sobre a superfície de Marte, que no ano passado foram consideradas pelos cientistas da NASA como vestígios de riachos de sal, na verdade, poderiam ter aparecido sem a presença de água em estado líquido, disseram os cientistas em conferência da União Geofísica Americana, em São Francisco.

"Sais hidratados nem sempre indicam a presença de água em estado líquido. Nós realizamos dezenas de experimentos com sais anídricos na atmosfera de Marte e alguns deles, como se verificou, incluindo perclorato de cálcio e cloreto de cálcio — foram absorvendo água aos poucos até se tornarem hidratados", disse Raina Gough, pesquisadora da Universidade do Colorado em Boulder (EUA).
Em 2011, Alfred McEwen, professor da Universidade do Arizona em Tucson (EUA) e seus colegas estudaram imagens captadas pela câmera HiRISE a bordo da sonda MRO. Em algumas imagens das encostas íngremes e bordas de crateras são percebidas tiras escuras de 0,5 a 5 metros de largura que aparecem e crescem no verão e desaparecem no inverno marciano.
Como acreditavam os planetólogos, estas tiras poderiam ser fluxos de água muito salgada. Tal água assumiria o estado líquido a altas temperaturas do verão nestas pistas, que chegam a atingir 26 graus Celsius. Em setembro do ano passado, após outra análise das imagens da MRO, os planetólogos confirmaram que os vestígios são realmente deixados pelos fluxos salgados de água fervente. Por enquanto não se sabe qual é a fonte — a atmosfera ou jazidas subterrâneas de gelo.
Nos últimos meses, vários grupos de cientistas vêm duvidando que as linhas escuras sejam realmente um resultado do movimento dos fluxos de água no estado líquido sob o solo de Marte — é possível que eles surjam devido à absorção de água da atmosfera de Marte pelos sais da superfície de uma encosta, onde surgem as linhas.
Gough e seu colega Margaret Tolbert confirmaram a viabilidade de tal cenário na prática, tendo reproduzido esse processo em laboratório. Por outro lado, como admitem os próprios autores da descoberta, tudo isso não significa que os "fluxos salgados" não existam em Marte. Ainda há a possibilidade do surgimento das "linhas escuras" estar envolvido com ambos os processos.
Agora, Tolbert e Gough estão tentando alcançar o oposto — descobrir a existência de quaisquer sais que, em princípio, não podem absorver água na atmosfera. Se tais sais hidratados forem encontrados em Marte, aí sim, pode-se afirmar com certeza que os "fluxos salgados" realmente existem, concluem os cientistas.


Fonte: JL/Notícias ao Minuto

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