sábado, 28 de janeiro de 2017

ARTIGO O Supremo Tribunal e “O Salão dos Passos Perdidos”

A “Sala dos Passos Perdidos” da turma do Temer é essencialmente a concentração de um exército criminoso marchando para um só objetivo: colocar em prática uma manobra sinistra

por Miguel Dias Pinheiro, advogado
 
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o momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para receber seu novo ministro para ocupar a vaga deixada com a morte trágica de Teori Zavascki, o Brasil aguarda com muita preocupação o nome a ser indicado pelo presidente da República, Michel Temer, o líder maior do PMDB, um dos partidos políticos envolvidos na Operação Lava Jato que apura o maior escândalo de corrupção do mundo, segundo o FBI.
Nesta sexta-feira (27), o Brasil acordou mais preocupado ainda. Durante jantar na residência do senador Renan Calheiros com a cúpula do PMDB, o presidente Michel Temer ouviu do senador Romero Jucá o seguinte conselho: “escolha um ministro que conheça a política e não tenha aversão a ela”. Ressalte-se que a cúpula do PMDB, incluindo o próprio Renan, Temer e Jucá, foi citada centenas de vezes por 71 delatores na Lava Jato.
Como se denota, a reunião não foi para discutir a escolha de um nome competente para ocupar a vaga de Teori. Mas, sim, para escolher um ministro que possa representar “criminosos” na Suprema Corte. Infelizmente, o STF prestes a receber em seus quadros um “ministro de gang” que vai julgar “quadrilheiros na corrupção”.
Clóvis Barbosa, conselheiro de contas, indaga: “O que vem à sua mente ao ouvir a expressão “Salão dos Passos Perdidos”? Seria uma expressão sem significado? Um lugar onde se caminha de um lado para outro sem ir a lugar algum? Uma sala de espera onde se aguarda o momento de ser recebido por alguém? Um espaço para reflexão? Enfim, todos esses conceitos podem ser aplicados. E toda instituição que se preze tem a sua sala ou salão dos passos perdidos. Os Tribunais de Justiça, Ministério Público, Maçonaria e até instituições financeiras criaram espaços congêneres utilizando-se da mesma sinonímia. A Maçonaria considera o seu espaço como um dos mais importantes do ritual de iniciação do novel maçom. Para a Enciclopédia MACKEY, o sentido maçônico desta denominação se origina no fato de que todo o passo realizado antes do ingresso na maçonaria, ou que não se coaduna com suas Leis, deve ser considerado como perdido”.
O ínclito e saudoso jurista Evandro Lins e Silva, ex-ministro do STF, na época acadêmico de Direito, exercia função de repórter do Jornal Diário de Notícias, no Rio, e ficou fascinado com os debates entre advogados e promotores no Tribunal do Júri. Essa experiência jornalística veio influenciá-lo de forma decisiva na escolha pela profissão de advogado. Evandro, ao lado de Evaristo de Moraes, Roberto Lira e Sobral Pinto, tornou-se um dos mais célebres advogados de defesa do Brasil.
Nos fóruns por onde passou, Lins e Silva se deparou com corredores sombrios, onde pessoas ficavam vagando, conversando e se encontrando, o que ele acabou chamando cada lugar daquele que encontrava de “salão dos passos perdidos”. Conversava-se sobre tudo! Desde a liberdade como a fuga de um criminoso. O objetivo era um só: livrar-se do xadrez.
Ao tomarmos conhecimento do conselho de Romero Jucá a Michel Temer, lembremos da máxima deixada pelo ex-ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, outro jurista de escol: “É aquela história, todo acusador que se preze sempre apela para uma moral tão vagabunda quanto ele, a fim de que seus pontos-de-vista, quase sempre tacanhos, prosperem. É por isso que seus ‘passos são perdidos’”.
Ao aconselhar Temer de que o presidente deve escolher um ministro do STF que “conheça a política”, Jucá pensa e está convencido de que se deva encaminhar para a Suprema Corte um ministro que conheça e saiba lidar no “salão dos passos perdidos” para “julgar” a Lava Jato, desonestamente. O interessante é que os absolvam.
Portanto, não se iluda, a reunião da cúpula do PMDB com Temer é o primeiro degrau para se chegar à “sala dos passos perdidos” no Palácio do Planalto, onde os delatados deverão se reunir com o próximo ministro a ser indicado por eles ao STF, para o qual serão apresentados os “objetivos dos criminosos” para “melar” a Lava Jato, mostrando-lhe que toda aquela acusação é “tacanha”. A “Sala dos Passos Perdidos” da turma do Temer é essencialmente a concentração de um exército criminoso marchando para um só objetivo: colocar em prática uma manobra sinistra.
Fonte: JL

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