sábado, 4 de fevereiro de 2017

Lula e Dilma, vítimas do “Brasil do ódio e da inveja”

O “Brasil do ódio e da inveja” começou quando um sindicalista e uma ex-empregada doméstica subiram a rampa do Palácio do Planalto de mãos dadas, como marido e mulher. Engoliram seco!

por Miguel Dias Pinheiro, advogado
 


N
a minha modesta opinião, o maior erro político de Lula foi se juntar aos “outros” para governar o país. Até compreendo que se ele não tivesse cedido, os adversários não o teriam deixado governar.
Antes de morrer o empresário José  Alencar, duas vezes vice de Lula, confessou que foi peitado para aceitar derrubar o petista em um possível impeachment em decorrência do Mensalão. Ao contrário de Michel Temer, o então vice de Lula respondeu: “Não posso trair um amigo”.
A introdução acima serve para que ingressemos no cerne do texto: “Brasil do ódio e da inveja”.
O cientista político Francisco Ferraz aconselha que, na política, “adversários você sempre terá. Contra eles vai concorrer, com eles vai disputar espaço político, prestígio, poder.  Adversários, entretanto, mudam com o tempo e as circunstâncias, são conjunturais. O adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã”.
Entre adversários, diz o cientista, não existe ódio. O que distingue o conflito entre adversários e entre inimigos é a presença do ódio como fator dominante, como motivação principal. O ódio é pessoal, definitivo, irreversível e irracional. É um sentimento que lança suas raízes no plano mais íntimo da individualidade das pessoas. Seu objetivo real (muitas vezes não reconhecido) é a eliminação completa do inimigo (eliminação seja no campo da vida política, da vida social, econômica, profissional, e, no limite, o próprio desejo da morte física).
O “Brasil do ódio” aflorou quando ocorreram as primeiras denúncias de corrupção. Para esse Brasil somente petista era corrupto. Hoje, sabe-se que a roubalheira dos outros é muito maior e mais grave. Quer por valores, quer pelo número de corruptos e de partidos políticos envolvidos e que “arrotavam” honestidade.
O “Brasil do ódio e da inveja” começou quando um sindicalista e uma ex-empregada doméstica subiram a rampa do Palácio do Planalto de mãos dadas, como marido e mulher. Engoliram seco!
Não faz muito tempo, a grande imprensa nacional bradava que “a inveja move os caçadores de Lula”. Segundo o jornalista Bepe Damasco, o ódio dos “bem nascidos” do país a Lula cresceu de forma vertiginosa depois de seus dois mandatos presidenciais. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, governou o Brasil por oito anos seguidos e não criou uma só universidade, castigando impiedosamente os desafortunados.
O “Brasil do ódio e da inveja” faz “cara de paisagem” para uma verdade nua e crua: em apenas 13 anos, Lula e Dilma criaram 422 escolas técnicas - três vezes mais do que fizeram todos os governos anteriores em mais de um século de história (140 escolas). Criaram também 18 universidades federais, 173 câmpus e programas como o ProUni e o Fies, que democratizaram o acesso ao ensino superior. Resultado: o país que levou cinco séculos para ter 3,5 milhões de jovens frequentando universidades, precisou de apenas 13 anos para chegar aos mais de 7,1 milhões de brasileiros universitários. Números simplesmente impressionantes!
Com Lula e Dilma, o “Brasil do ódio e da inveja” assistiu os professores conquistarem piso salarial nacional, que aumentou 78,7%, com ganho real de 35,5%. O Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica garante curso superior aos educadores ainda sem graduação. Instrumentos precisos de avaliação como Ideb (ensino básico) e Sinaes (ensino superior), que permitem aferir qualidade e corrigir deficiências.
Em oito anos governando o Brasil, FHC fez oito concursos públicos nacionais. Um em cada ano. Lula e Dilma realizaram mais de duas centenas de concursos em todas as áreas, em todos os cantos e recantos do país em apenas treze anos de governo.
Hoje, copiando FHC, o governo Temer entende que quem vai resolver o problema das universidades e das escolas será o mercado. E nós ficamos todos calados!
O “Brasil do ódio e da inveja” faz ouvido de mercador para o fato de que Lula e Dilma criaram 18 novas universidades federais, 165 extensões universitárias, o Ciência sem Fronteiras, que mandava milhares de jovens estudarem em outros países, e instituiram o Pronatec para fazer formação profissional. Por que isso? Porque Educação é investimento.
O “Brasil do ódio e da inveja” não faz pacto pela Educação porque não sabe conviver com os desiguais, com a filha e o filho do pedreiro formado em Medicina, em Direito, etc.
O “Brasil do ódio e da inveja” jamais aceitou uma empregada doméstica esboçar com alegria que, "meu filho vai ter uma grande oportunidade que eu nunca tive. Muitas coisas que eu não aprendi, ele vai aprender."
"Eu vim de uma família de classe baixa. Meu pai é pedreiro, tem até a 4ª série do ensino fundamental e minha mãe é faxineira. Meu orgulho é falar que hoje eu sou médica, a primeira da família. E falar também para as pessoas que é possível, eu acreditei no meu sonho e consegui chegar. E se você acreditar e lutar por isso, seu sonho pode se tornar realidade também".
Em um passado bem recente ouvia-se muito dessas declarações. Dói, dói muito conviver com o “Brasil do ódio e da inveja”!


Fonte: JL

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