quinta-feira, 13 de abril de 2017

CORRUPÇÃO Aécio Neves e Romero Jucá são os mais investigados na Lava Jato

Delatores relataram condutas de tucano como governador, senador e candidato à presidência

A
lvo do maior número de inquéritos envolvendo políticos com foro privilegiado, ao lado do senador Romero Jucá (PMDB-RR), o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos principais nomes do partido à sucessão presidencial de 2018, é investigado em cinco procedimentos que tratam de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, cartel e fraude em licitação. Cinco delatores relataram, “por meio de declaração e prova documental”, condutas de Aécio como governador de Minas (2003-2010), senador (2011-2018) e candidato à Presidência (2014).
 
Aécio foi acusado de receber “pagamento de vantagens indevidas em seu favor e em benefício de seus aliados” na campanha de 2014, mas os nomes não são citados. Em um segundo inquérito, o mineiro foi citado por solicitar, enquanto governador, “vantagens indevidas a pretexto de doação eleitoral” para a campanha de Antonio Anastasia (PSDB-MG) ao governo de Minas em 2010, valores que totalizaram R$ 7,3 milhões.
Dois delatores relataram à PGR que, no início do segundo mandato como governador, Aécio “teria organizado esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção da Cidade Administrativa”, com o objetivo de “obter propinas decorrentes dos pagamentos das obras”, que custaram mais de R$ 2 bilhões.
Dois delatores relataram, ainda, ter pagado, em parceria com a Andrade Gutierrez, “vantagens indevidas” a Aécio e ao PSDB para “obter ajuda em interesses da Odebrecht nos empreendimentos do Rio Madeira, usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau”. Os pagamentos teriam sido realizados em prestações que variavam de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.
Em nota, Aécio disse que o fim do sigilo permitirá “desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua conduta”.
ALCKMIN E SERRA TAMBÉM SÃO ALVOS
Outros dois presidenciáveis tucanos também são alvo de pedidos de investigação. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi citado pelos ex-diretores da Odebrecht Benedicto Júnior, Carlos Paschoal e Arnaldo Silva. Eles relataram que o cunhado do governador, Adhemar César Ribeiro, teria recebido R$ 10,3 milhões, em espécie, referentes a contribuições em caixa 2 para as campanhas do tucano ao governo estadual em 2010 (R$ 2 milhões) e 2014 (R$ 8,3 milhões).
Em nota, Alckmin disse: “Jamais recebi um centavo ilícito”. Já o senador José Serra (SP) será investigado junto com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, pela acusação de ter recebido propina nas obras do Rodoanel. Em nota, Serra afirmou que não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido na forma da lei.
Foram autorizadas investigações contra outros quatro senadores tucanos: Cássio Cunha Lima (PB), Antonio Anastasia (MG), Ricardo Ferraço (ES) e Dalírio José Beber (SC). Quatro deputados do PSDB também integram a lista: Jutahy Júnior (BA), Yeda Crusius (RS), João Paulo Papa (SP) e Betinho Gomes (PE).
Fonte: JL/OGlobo

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