terça-feira, 23 de maio de 2017

JBS pagou mais de R$ 4 milhões para ajudar a eleger políticos do Piauí

Lista envolve um senador, um ex-reitor da Universidade Estadual do Piauí, um secretário estadual, um presidente de ONG, além de políticos já conhecidos e alguns anônimos

A empresa JBS parece ter sido democrática em relação aos políticos para os quais entregava dinheiro. A lista, disponibilizada para a Justiça pelo operador Ricardo Soud, traz nomes de 20 piauienses que foram candidatos à Assembleia Legislativa do Piauí ou à Câmara Federal.
A lista envolve  um senador, um ex-reitor da Universidade Estadual do Piauí, um secretário estadual, um presidente de ONG de Teresina, além de outros políticos já conhecidos e alguns anônimos. Juntos, eles receberam R$ 4.785.874 da JBS.
Em sua delação, Ricardo Soud explicou que todos os valores pagos pela empresa eram propina, mas alguns eram declarados legalmente nas prestações de contas. O dinheiro era entregue aos diretórios nacionais dos partidos, que distribuíam para os candidatos de acordo com seus próprios critérios. As quantias repassadas para os candidatos piauienses variavam de R$ 695 mil a R$ 3.179.
No Piauí, quem teria recebido o maior valor, de acordo com a lista da JBS, seria o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Ele teria recebido R$ 2,4 milhões em um supermercado de Teresina, de acordo com Ricardo Soud.
A deputada federal Iracema Portela (PP) foi a segunda pessoa que mais teria sido beneficiada, recebendo R$ 695 mil. Em seguida aparece o candidato a deputado federal Osmar Júnior (PC do B), que teria recebido R$ 650 mil, mas não foi eleito.
Também teriam sido beneficiados os suplentes de deputados federais Silas Freire (PR), Mainha (PP) e Flávio Nogueira (PDT). Receberam dinheiro ainda Merlong Solano (PT), Ana Letícia Alvarenga (PT) e o vereador Dudu (PT).
Entre os deputados estaduais, Júlio Arcoverde (PP) ficou com a maior quantia, de R$ R$ 304 mil, seguido do deputado Fábio Xavier (PR) com R$ 200 mil. Ainda entre os eleitos, receberam dinheiro da JBS os deputados Fábio Novo (PT), atual secretário de cultura, e Flávio Nogueira Júnior (PDT). O suplente de deputado Cícero Magalhães (PT), que está na Alepi atualmente, também foi um dos beneficiados.
Receberam dinheiro, mas não foram eleitos, os candidatos a deputados estaduais José Carvalho Rufino (PC do B), Maria Rosalina dos Santos (PT), Francisco Guedes (PT), Junior da ONG MP3 (PT), o ex reitor da Uespi Carlos Alberto Pereira, Rosângela Maria da Costa (PT) e Reynolds José Benício (PT).
 O outro lado
Em nota, a assessoria do vereador do Dudu (PT) esclareceu que quando foi candidato a deputado federal em 2014, ele recebeu doação de R$ 6 mil do Partido dos Trabalhadores para pagamento de produção de programas de TV e Rádio e  que esta doação foi devidamente registrada em recibo do Diretório Regional na prestação de contas apresentada na Justiça Eleitoral.
O deputado Cícero Magalhães declarou que nunca manteve contato pessoal com qualquer representante do grupo JBS e que a referida doação foi repassada pelo Diretório Nacional do PT ao Diretório Estadual do Piauí e utilizado para pagamento da produtora responsável pela gravação do material de campanha de rádio e TV dos candidatos do partido. Cícero Magalhães declarou ainda que os R$ 3.179,00 que foram repassados, foram devidamente declarados à Justiça Eleitora, sendo aprovadas as contas de campanha no pleito de 2014 e que a comprovação desses dados pode ser feita consulta ao sistema do TRE-PI.
Por: Nayara Felizardo

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