domingo, 19 de agosto de 2018

AVALIAÇÃO 'Nordeste pode ser decisivo na eleição deste ano', avalia Tereza Cruvinel

Em 2014, Dilma não teria sido reeleita sem a vitória folgada que obteve no Nordeste. Com sua vantagem em outros estados, Aécio teria ganhado. Nos nove estados da região, Dilma recebeu um total de 20,1 milhões de votos, contra 6,5 milhões dados ao tucano
C
om 39% do eleitorado nacional, ou  26% do total, a Região Nordeste pode ser decisiva na eleição deste ano, como o foi na de 2014. Isso será possível se um candidato conseguir receber uma fração altamente majoritária dos votos nordestinos, compensando perdas no resto do pais, onde haverá grande dispersão de votos. Como Lula e Dilma obtiveram tal vantagem nas eleições que disputaram, ela graças à transferência de votos dele, um dos maiores desafios de Fernando Haddad, como substituto do ex-presidente, será a conquista deste espólio lulista.
Os concorrentes também estão disputando este butim, mas obviamente o PT leva vantagem. Haddad começa na terça-feira um périplo pela região, depois de ter estado no Piauí, na sexta-feira, fazendo campanha ao lado do governador petista Wellington Dias.  Esta semana ele vai se concentrar em estados onde o PT tem candidato próprio a governador em boa posição, ou participa da chapa de aliado competitivo. Por isso foram escolhidos Bahia, Sergipe, Paraíba. Rio Grande do Norte e Maranhão. A escolha refletiu as alianças com o PCdoB e o PSB.
Em 2014, Dilma não teria sido reeleita sem a vitória folgada que obteve no Nordeste. Com sua vantagem em outros estados, Aécio teria ganhado.  Nos nove estados da região, Dilma recebeu um total de 20,1 milhões de votos, contra 6,5 milhões dados ao tucano. A diferença de 12,2 milhões de votos a favor da petista garantiu-lhe a vitória, que ela deve também ao Norte, onde superou Aécio por mais de um milhão de votos: recebeu 4,3 milhões, contra 3,3 milhões dados ao senador.
Não por acaso Haddad começa seu roteiro pela Bahia, o que explica também a preferência que muitos petistas tinham pelo ex-governador Jacques Wagner como plano B de Lula. Ali, em 2014, Dilma obteve a maior vantagem sobre Aécio, entre todos os estados: recebeu cinco milhões de votos, contra 2,1 milhões dados a ele. Vantagem de mais de 3 milhões de votos. O segundo maior saldo positivo de Dilma foi no Ceará, mas este ano, com a candidatura de Ciro, dificilmente o PT será hegemônico ali. O governador Camilo Santana é petista mas está com Ciro.
Já o candidato tucano Geraldo Alckmin, segundo as pesquisas de hoje, dificilmente repetirá a performance de Aécio nos estados onde o PSDB ganhou de lavada em 2014. Em São Paulo, o tucano bateu Dilma com uma vantagem de quase 7 milhões de votos: foram 15,2 milhões de votos contra 8,4 milhões dados a ela. Isso foi conseguido com a ajuda de Alckmin, que disputava a reeleição. Mas este ano ele perdeu boa parte de seu eleitorado para Jair Bolsonaro, e até agora não conseguiu recuperar o terreno perdido. Outro estado em que Aécio bateu o PT por larga vantagem foi o Paraná: foram 3,7 milhões de votos para ele, contra 2,4 milhões para Dilma. Mas, com a candidatura de Álvaro Dias, o PSDB perdeu também este território.
A batalha eleitoral em Minas, este ano, será tão renhida quanto em 2014: Dilma recebeu 5,9 milhões de votos, Aécio 5,4 milhões.  Este ano o governador petista Fernando Pimentel disputa a reeleição tendo Dilma em sua chapa como candidata ao Senado. Ela é favorita, mas ele está atrás do tucano Antônio Anastasia. Será um confronto formidável.  

GANHO SIMBÓLICO
Embora a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU não deva impedir o indeferimento da candidatura do ex-presidente Lula, o PT já obteve com isso enorme ganho político e simbólico, admitem até os adversários.  Interna e externamente, ganha força a narrativa da perseguição judicial para evitar que ele se eleja. O PT tocará o bumbo sobre o assunto na propaganda eleitoral. Afora o largo arranhão na imagem do Brasil, o descumprimento lançará desconfiança sobre o pleito. Qualquer denúncia de fraude pode trazer observadores internacionais ao Brasil. E assim, o país segue aspirando ao apelido de bananão.
A CONFERIR 

O debate da RedeTV, como o da Band, não produziu cenas capazes de alterar o curso das pesquisas. Causou, no máximo, um arranhãozinho em Bolsonaro. Veremos.
Fonte: JL/por Tereza Cruvinel

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