quinta-feira, 27 de setembro de 2018

INVESTIGAÇÃO Senador Ciro Nogueira é alvo de operação da Polícia Federal no Piauí

Senador é candidato à reeleição. Ação é baseada em delações. Defesa acusa interferência na eleição
 
O
senador Ciro Nogueira (PP-PI) é alvo de operação da Polícia Federal nesta 5ª feira (27.set.2018). As investigações da PF começaram a partir de depoimentos em delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht junto à PGR (Procuradoria Geral da República).
Já foram cumpridos 2 mandados de busca e apreensão em Teresina, no Piauí. A PF fez buscas na sede do PP (Partido Progressista) em Teresina e na casa de 1 funcionário do partido.
Os mandados foram autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em inquérito que apura os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa supostamente praticados por empresários, políticos e doleiros.
Os depoimentos dos empresários nas colaborações premiadas deram indícios de possíveis desvios de dinheiro nas obras públicas feitas pela empreiteira.
Ciro Nogueira é candidato à reeleição no Senado e presidente do PP. O senador foi citado nas delações da UTC Engenharia e da Odebrecht.

Manifestação da defesa
Em nota, o advogado de defesa de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, indagou o porquê de o mandado de busca e apreensão contra o PP ser cumprido a 10 dias das eleições. Segundo ele, o partido enfrenta a criminalização da politica, com o agravante de estar em pleno processo eleitoral.
“Uma busca baseada em uma delação antiga, dentro de 1 inquérito aberto há tanto tempo e determinada a 10 dias das eleições é uma verdadeira intromissão do Poder Judiciário no processo eleitoral“, afirmou.
A defesa classificou a operação como inoportuna e inadequada. Eis a íntegra da nota:
“O senador Ciro Nogueira foi citado nas delações da UTC e da Odebrecht. A delação da UTC deu ensejo a uma denúncia feita pela PGR que foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. Nela o Supremo desconsiderou o valor probatório mínimo da delação e sequer permitiu a abertura do processo penal contra o senador. A outra delação, da Odebrecht, fez com que fosse aberto o Inquérito 4407 no Supremo. Esta delação, bastante conhecida, é antiga. O inquérito está aberto no Supremo Tribunal há 18 meses. A defesa indaga o porquê de ser determinada busca e apreensão contra o PP há 10 dias das eleições? Obviamente não havia necessidade e urgência para esta medida neste momento. Embora o senador não seja alvo da medida de busca o prejuízo eleitoral é evidente. Mais uma vez enfrentamos a criminalização da politica, com o agravante que agora estamos em pleno processo eleitoral. Uma busca baseada em uma delação antiga, dentro de 1 inquérito aberto há tanto tempo e determinada a 10 dias das eleições é uma verdadeira intromissão do Poder Judiciário no processo eleitoral. A defesa não se preocupa em absoluto com o que foi apreendido, mas denuncia o uso eleitoral que certamente se fará desta decisão judicial inoportuna, inadequada e desmedida neste momento. A criminalização da política tem que ser enfrentada em nome da normalidade democrática.”
Fonte: JL/PODER 360

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