quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Comissão do Senado aprova cultivo para uso medicinal da planta que dá origem à maconha

Folha de cannabis sativa — Foto: AP Photo/David McFadden

Projeto ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para o plenário do Senado. Depois, será analisado pela Câmara dos Deputados.  

Plenário da Comissão de Assuntos Sociais do Senado durante sessão que aprovou o cultivo de cannabis para fins medicinais — Foto: Fernanda Calgaro/G1
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou nesta quarta-feira (28) um projeto de lei que permite o cultivo da cannabis sativa para uso pessoal terapêutico, desde que haja prescrição médica. A cannabis sativa é a planta que dá origem à maconha.
O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser votado no plenário do Senado. Em seguida, precisará ser apreciado na Câmara dos Deputados.
A proposta modifica um trecho da legislação sobre drogas para ressalvar que deixa de ser crime o semeio, cultivo e colheita de cannabis sativa para uso pessoal terapêutico.
O texto estabelece que a produção poderá ser realizada por meio de associações de pacientes ou familiares de pacientes que fazem uso medicinal da planta. O cultivo deve ser feito em quantidade não mais do que suficiente ao tratamento, de acordo com o que o médico prescreveu.  

Plenário da Comissão de Assuntos Sociais do Senado durante sessão que aprovou o cultivo de cannabis para fins medicinais  — Foto: Fernanda Calgaro/G1

Folha de cannabis sativa — Foto: AP Photo/David McFadden
Em seu parecer, a relatora, senadora Marta Suplicy (MDB-SP), argumentou que a eficácia da cannabis sativa na medicina está comprovada. Ela disse que a planta atua ativamente, por exemplo, na regulação de funções cognitivas e na resposta ao estresse e à dor.
Hoje, a lei determina que quem produz a cannabis para consumo pessoal está sujeito à prestação de serviços à comunidade e ao comparecimento a programa educativo, sem fazer ressalva ao uso médico.
A proposição teve origem em uma ideia legislativa que recebeu o apoio de mais de 20 mil pessoas no portal e-Cidadania do Senado Federal.
Em maio de 2017, a Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu a cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de "planta medicinal".

Discordância

O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) apresentou um voto em separado discordando do parecer da relatora. Ele ressaltou que não há dúvida de que a cannabis se trata de uma medicação, mas se posicionou contra a liberação da produção pelas famílias.
O senador ponderou que o Estado não terá condição de fiscalizar o plantio e defendeu que o fornecimento da cannabis seja feito pelo sistema público de saúde brasileiro. Se preciso, com a importação do produto.
“Minha preocupação é fazer com que as casas se transformem, com a liberação do plantio, em um laboratório de entorpecentes”, afirmou.
Senadores discordaram e observaram que muitas vezes o Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue fornecer medicamentos e a importação elevará demais os custos.
“Quantas vezes o SUS não deixou de importar o medicamento e atender pacientes?”, questionou o senador Valdemir Moka (MDB-MS).
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) discursou na mesma linha. “Nós sabemos da dificuldade do SUS de importar medicamentos”, disse.

Autoria

A proposta teve origem em um mecanismo chamado Ideia Legislativa.
Por meio da ferramenta, qualquer cidadão cadastrado no site do Senado pode oferecer sugestões de projeto.
Caso a proposta seja apoiada por 20 mil pessoas em quatro meses, vira uma Sugestão Legislativa e é encaminhada para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
Os senadores da comissão decidem se a proposta segue adiante ou não.

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