quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Mais cinco prisões apresentam casos de tuberculose e policiais temem contaminação

Após o surto da doença, policiais penais tem comprado, com dinheiro próprio, as peças faciais filtrantes para evitar os contaminantes do ambiente

Após um surto de tuberculose na Casa de Detenção de São Raimundo Nonato, distante 523 km de Teresina, onde 12 presos foram diagnosticados e outros 40 apresentaram sintomas, policiais penais temem contrair a doença. De acordo com o vice-presidente do Sinpoljuspi, José Roberto, a Secretaria de Segurança do Piauí (Sejus) fornece material de proteção para os servidores, mas os instrumentos não são adequados contra a tuberculose.
Presos no Piauí (Foto: João Brito Jr/OitoMeia)

Após o surto da doença, policiais penais têm comprado, com dinheiro próprio, as peças faciais filtrantes para evitar os contaminantes do ambiente.

“Essas máscaras brancas são disponibilizadas pela unidade. No entanto, as máscaras azuis são as adequadas [os casos de tuberculose]. Essas, os companheiros compram com seu próprio empenho e dinheiro, pois a Secretaria não a fornece”, explicou Roberto.
esquerda máscara comprada por policiais, à esquerda máscara fornecida pela Sejus (Foto: Divulgação/ Sinpoljuspi)
SEIS PRISÕES NO PIAUÍ APRESENTAM DIAGNÓSTICOS DE TUBERCULOSE

Segundo o Sinpoljuspi, além da Casa de Detenção de São Raimundo Nonato, outras cinco prisões no Piauí registraram casos de detentos diagnosticados com tuberculose.
Penitenciária Regional Irmão Guido, na zona rural de Teresina;
Penitenciária Gonçalo de Castro Lima, em Vereda Grande (Floriano);
Casa de Custódia, zona Sul de Teresina;
Penitenciária José de Deus Barros, em Picos;
Cadeia Pública de Altos
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Para José Roberto, há um grande risco de contaminação para a categoria, pois presos doentes transitam de Norte a Sul do estado. No caso da Cadeia de Detenção, ele também denuncia que os detentos são transferidos sem conhecimento da Justiça e que chegam a unidade sem o prontuário médico. Assim, não é possível identificar os presos que estão doentes. Nesse contexto, os presidiários são medicados e afastados dos demais quando já apresentam sintomas avançados da doença.

“A remoção do detento acontece sem o conhecimento do poder judiciário e sem informações do prontuário médico. Quando chega na unidade, o detento não carrega prontuário, nem o prontuário do processo. Assim, os policiais penais não tem como saber quais os detentos estão recebendo e nem o grau de periculosidade dele. Não nos é dito qual o tipo de preso está chegado. O que eleva e muito o risco do profissionais da unidade”, explicou.
Presos no Piauí (Foto: João Brito Jr/OitoMeia)

De acordo com o vice-presidente do Sinpoljuspi, a situação põe em risco de contaminação os policiais penais, bem como a equipe de saúde, advogados, juízes e promotores que mantêm contato com os presidiários.

“Esse presos transitam de Norte a Sul do estado com essas doenças, como sífilis, aids, tuberculose, sarna. Fica difícil trabalhar em um sistema desorganizado dessa forma. Há tempos criticamos a má gestão da Duapi. Enquanto isso profissionais, policiais penais, a equipe de saúde, advogados, juízes e promotores ficam sujeitos a contraírem esses tipos de doenças em virtude de irresponsabilidade”, apontou. 
DETENTO MORREU VÍTIMA DE TUBERCULOSE EM 2019

Os casos de tuberculose entre detentos do Piauí não é uma realidade nova. Em janeiro de 2019, o OitoMeia publicou uma matéria onde noticiou a morte de um presidiário, vítima de tuberculose no hospital Penitenciário Valter Alencar, em Teresina. Em 2018, 23 casos foram registrados no sistema prisional do Piauí apenas durante o mês de dezembro

Na época, o presidente Sinpoljuspi, Kleiton Holanda, afirmou que a situação era preocupante, pois faltavam materiais básicos de higiene, como luvas e álcool gel para os servidores. Além disso, ele também criticou falhas na divisão do detentos infectados em relação aos demais.
O QUE A SEJUS DIZ

A Sejus enviou uma nota ao OitoMeia onde esclarece que os detentos identificados com a tuberculose estão isolados e recebendo o tratamento devido. A Sejus também destacou que a unidade de São Raimundo Nonato é reconhecida nacionalmente pela eficiência procedimental,e também é atendida pela Política Nacional de Atenção Integrada à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), em que é ofertada toda assistência à saúde ao detento.

O OitoMeia questionou a assessoria da Sejus sobre a transferência irregular do presos, que garantiu à reportagem que todas as transferências de presos são comunicadas ao sistema judiciário.

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