O site eletrônico deu destaque ao retorno do senador ao “centro do poder”.
O site eletrônico da revista Veja deu destaque ao retorno do senador Ciro Nogueira
ao “centro do poder”. Reportagem publicada hoje (19), afirma que o
parlamentar é um dos mais influentes do país, controlando mais de 200
deputados que podem apoiar importantes projetos para o governo e servir
de escudo para impedir a ação de oposicionistas.
A
reportagem diz que Ciro é tratado com impressionante deferência pelo seu
grau de fidelidade, mas adverte que ele muda ao sabor dos ventos e
relata como o senador terminou por apoiar o impeachment da ex-presidente
Dilma em troca de dois ministérios e a presidência da Caixa Econômica
Federal.
- Foto: Lucas Dias/GP1
-
- Ciro Nogueira
Confira a matéria:
O
senador Ciro Nogueira (PI) tem um patrimônio declarado de 23 milhões de
reais, que inclui um avião e um Camaro, mas circula pelas ruas de
Brasília na singela moto Honda, avaliada em 20 000 reais, que ilustra
estas páginas. “O Ciro tem alma de baixo clero”, diz um amigo dele. “Se
tiver uma reunião num palácio ou uma conversa com dez deputados em um
boteco, não há dúvida de que ele vai ao boteco.” Parece uma questão de
estilo pessoal, mas é, antes de tudo, uma estratégia política.
Presidente do Progressistas, o mais inuente partido do chamado Centrão,
grupo acostumado a negociar seu apoio ao presidente da vez em troca de
cargos e verbas públicas, Ciro Nogueira sabe que, quanto mais deputados
tiver sob sua inuência — num bar ou no Congresso —, maior será a chance
de ser cortejado e bem tratado pelo Palácio do Planalto. Essa receita é
tão infalível que ele se tornou aliado de Lula, Dilma Rousseff e Michel
Temer e conseguiu de petistas e peemedebistas ministérios de ponta para o
seu partido.
A chegada de Bolsonaro ao poder e seu
discurso contra a velha política sugeriam que os tempos de glória de
Nogueira, processado por corrupção, e do Progressistas, a sigla com o
maior número de políticos investigados na Lava-Jato, chegariam ao fim.
Deu-se o contrário, e, sem sombra de dúvida, o senador é hoje um dos
parlamentares mais inuentes do país. O motivo é simples: ele controla um
bloco parlamentar com mais de 200 deputados, que formalmente é liderado
por seu correligionário Arthur Lira. Essa tropa sozinha é capaz de
catapultar projetos importantes para o governo e também funcionar como
um campo de força para impedir investidas da oposição. Foi justamente
esse atributo que atraiu Bolsonaro, que, para consumar a parceria, deu
ao Progressistas o comando de órgãos como o Departamento Nacional de
Obras contra as Secas (Dnocs) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE), cujo orçamento este ano é de 54 bilhões de reais.
No
Planalto, Nogueira é tratado com impressionante deferência pelo seu
grau de delidade. O ministro Luiz Eduardo Ramos, responsável pela
articulação política, estima que antes mesmo da aliança entre as partes a
bancada da legenda já votava ao lado do governo em 80% dos projetos.
Essa sintonia tende a car ainda mais na, já que o senador tem recebido a
retribuição devida. Recentemente, ele anunciou ter conseguido a
liberação de cerca de 17 milhões de reais para a construção de uma ponte
na cidade de Parnaíba, a segunda maior do Piauí e um de seus redutos
eleitorais. A cerimônia para celebrar o anúncio do recurso foi virtual e
contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério
Marinho, e de aliados da região. O prefeito de Parnaíba, o ex-senador
Mão Santa (DEM), participou do evento e prometeu nomear o novo
cartãopostal da cidade como “Geraldo Bolsonaro”, em homenagem ao pai do
presidente.
A esperança de Ciro Nogueira é contar com o
apoio de Bolsonaro para sua candidatura ao governo do Piauí em 2022. Na
última eleição, o ex-capitão teve apenas 23% dos votos no estado no
segundo turno, mas o senador diz ter em mãos pesquisas que mostram que o
presidente está cada vez mais popular no Nordeste. “Eu quero leválo a
uma comunidade que não tem água para ele ver um poço jorrando, a alegria
dessas pessoas e o semblante delas. Não tem quem não se emocione e não
se comprometa com isso”, disse Nogueira a VEJA. O problema desse tipo de
jura de amor é que, como as nuvens, ela muda ao sabor dos ventos. Em
2018, Nogueira fez o Progressistas se aliar ao PSDB, mas, mesmo assim,
declarou voto no PT.
Em 2016, ele prometia marchar em
defesa do mandato da então presidente Dilma. Faltando poucos dias para a
votação na Câmara, ela o chamou para uma conversa no Palácio da
Alvorada. “Posso contar com você?”, perguntou a petista. Nogueira disse
que sim, mas com uma condição: a de que outras legendas de centro, como o
então PR (hoje PL) e o PSD, não pulassem fora do barco. Ciro sabia que
essas siglas estavam a favor do impeachment. Enquanto dava uma última
esperança a Dilma, já costurava seu apoio ao futuro governo Temer em
troca de dois ministérios e do comando da Caixa. “Tudo isso pode
acontecer novamente com o governo Bolsonaro. É o que a gente costuma
dizer: gato não gosta do dono, gato gosta do hotel”, arma um escaldado
petista que acompanhou as negociações.
Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692Edição: Tropical Noticias
Fonte: GP1
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