segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Wellington Dias foi o grande perdedor das eleições municipais no Piauí

Política ANÁLISE/ELEIÇÕES

Nas 10 maiores cidades do estado, que concentram os principais colégios eleitorais, os candidatos apoiados pelo governador foram derrotados

Wellington Dias promove aglomeração contrariando seu próprio decreto; não faltaram nem os tradicionais “papagaios de pirata” (CCOM)
Wellington Dias promove aglomeração contrariando seu próprio decreto; não faltaram nem os tradicionais “papagaios de pirata” (CCOM)

Com a totalidade das urnas apuradas em todo o Piauí até por volta de 21h22min de domingo 15 de novembro era possível perceber um novo cenário político se desenhando nos municípios do estado bem distante da influência do PT.

O grande derrotado destas eleições foi o governador Wellington Dias e seus partidários e aliados. Na projeção para 2022 sai vitorioso o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e mais novo aliado predileto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os candidatos do governador foram derrotados nas 10 maiores cidades do estado, a começar pela litorânea Parnaíba, onde foi reeleito o prefeito Francisco Moraes Souza, o Mão Santa, do DEM, que contou com apoio do mencionado senador.

_OS VENTOS DO LITORAL

Mão Santa obteve uma votação espectacular de 52.075 votos contra 20.123 atribuídos ao seu adversário Dr. Hélio (PL) que era patrocinado diretamente pelo Palácio de Karnak. Maioria de 31.952 sufrágios.

Os ventos do litoral sopraram negativamente para o governo petista pela segunda vez em quatro anos. No pleito passado Mão Santa derrotou o então prefeito Florentino Neto (PT), atual secretário estadual de Saúde.

Na cidade de Picos, Gil Paraibano (PP), também apoiado por Nogueira, conquistou 21.153 votos contra 16.725 de Francisco Araújo, o Araujinho, que tinha o patrocínio de Wellington Dias e do secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, pré-candidato a governador em 2022.

Em Floriano, foi reeleito Joel Rodrigues (PP), contra Claudemir Rezende, o Bilu (MDB), que tinha apoio do governador. Na cidade de Barras, saiu vitorioso o ex-prefeito Edilson Capote (PSD), que contou com apoio direto do deputado federal Júlio César Lima.

 >>> Thales eleito em Paes Landim, terra natal do governador, com apoio do senador Ciro Nogueira (Reprodução)

Neste caso, Wellington Dias conferiu a ele um apoio apenas indireto e Capote foi beneficiado pela impugnação da candidatura do também ex-prefeito Manin Rêgo.

Em Campo Maior, cidade-símbolo da corrupção petista no estado — foi ali que começou o esquema de desvios que originou a Operação Topique na Secretaria de Estado da Educação — venceu João Félix, candidato do PP, derrotando o esquema do PT representado pelo professor José Ribamar, o Ribinha. O partido estava no comando da prefeitura desde 2011.

João Félix contou com 12.748 votos, o equivalente a 48,33% da votação, contra 11.439 de Ribinha, 43,37%.

_VITORIOSO CONTRA A MÁQUINA

Em União, Gustavo Medeiros (DEM), conseguiu ser vitorioso num cenário adverso de derrama de dinheiro público e utilização de obras, pelo governo, para tentar mudar a cabeça do eleitor.

Para que se tenha ideia pelo menos R$ 10 milhões foram despejados no município localizado 56 km ao norte de Teresina a poucos dias do pleito para calçamento, asfaltamento e estradas rurais, com uso de órgãos estaduais, tudo para tentar beneficiar a candidatura do petista Zé Osmar. Nada disso adiantou e Medeiros teve uma vitória de 13.460 votos contra 7.442 do petista. Maioria de 6.018 sufrágios.

Em Altos, 9ª maior cidade do Piauí, a vitória coube ao emedebista Maxwell Pires, o Maxwell da Mariinha, que conquistou exatos 10.542 votos ou 41,51% da votação contra 9.847 sufrágios, equivalente a 38,77% dos votos, atribuídos ao candidato da prefeitura e do PT, Carlinhos Leal, tio da prefeita Patrícia Leal, a grande derrotada no pleito juntamente com Wellington Dias, que esteve pessoalmente no município em diversas oportunidades.

_INAUGURAÇÃO DE OBRA INACABADA

Na véspera da votação, dia 13 de novembro, prefeita e governador se juntaram para inaugurar uma obra inacabada do terminal rodoviário financiado pelo governo através da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Valores do São Francisco e do Parnaíba), promovendo uma aglomeração que violou o próprio decreto de emergência sanitária baixado pelo governador no dia anterior.

Finalmente, em Esperantina, foi eleita Ivanária Sampaio (MDB), que teve 11.960 votos contra 4.973 da Professora Jesus, candidata do PT e do governador. Ivanária Sampaio prefeita é uma vitória pessoal do deputado e presidente da Assembleia, Themistocles Filho (MDB), que em outras campanhas havia recebido promessa de apoio do governador e no fim nada se materializava e o candidato do PT recebia verdadeira derrama por parte de Karnak.

Neste pleito a derrama não funcionou e Wellington Dias perdeu também em Esperantina, embora os dois — Wellington e Themistocles — sejam aliados no plano estadual.

A única candidatura vitoriosa entre as que foram apoiadas pelo chefe do Executivo estadual foi da radialista Jove Oliveira (PTB) que venceu em Piripiri, 176 km ao norte de Teresina, contra o prefeito Luiz Menezes (PP) que disputava a reeleição.

Ainda assim o resultado pode ser considerado mais uma derrota do prefeito do que uma vitória do esquema governista, haja vista que Menezes estava exercendo o quinto mandato e tentando caminhar para o sexto.

_DERROTADO NA CIDADE NATAL

O governador também perdeu em sua cidade natal. O candidato apoiado por ele, o prefeito Gutim (PT), perdeu a eleição para Thales (PP), que recebeu apoio do senador Ciro Nogueira.

Thalles conquistou 1.664 votos (50,89%), contra 1.606 de Gutim (49,11%). A maioria foi de apenas 58 votos, mas foi simbólica por ser Paes Landim a terra natal do governador e seu primo já estar na prefeitura e perder a reeleição.

Mais ainda porque o governador mandou despejar um verdadeiro arsenal de obras públicas de ocasião na véspera do pleito, inclusive asfaltamento, conforme publicamos anteriormente (veja aqui).

Em Oeiras, outra cidade que até recentemente era considerada reduto do PT, o prefeito Zé Raimundo (PP) conseguiu 11.472 votos (50,09%) contra 11.429 (49,91%) atribuídos ao candidato Dr. Hailton (MDB), que era apoiado pelo governador. Dr. Hailton foi uma aposta na política do falecido deputado Assis Carvalho (PT) de quem era amigo pessoal e seguidor fervoroso. Maioria de apenas 43 votos. (Toni Rodrigues)

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