segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Governador usa tragédia em Manaus para abafar escândalos de desvios no Piauí

 

Política CORONAVÍRUS

Governador usa tragédia em Manaus para abafar escândalos de desvios no Piauí

Na tragédia dos manauaras, surge uma oportunidade para o governador petista posar de humanista e obscurecer as discussões em torno de supostos desvios de R$ 55 milhões

O governador agora diz estar à frente de movimento humanitário em prol de Manaus (Reprodução)
O governador agora diz estar à frente de movimento humanitário em prol de Manaus (Reprodução)

A tragédia de uns é a oportunidade de outros. O governador Wellington Dias (PT) teve uma péssima semana por conta dos escândalos envolvendo a Secretaria de Saúde e a Fundação Hospitalar, que gerenciaram negativamente, segundo a Polícia Federal, os recursos de combate ao covid 19. Tanto que duas operações foram realizadas num período de apenas 48h — Campanário e Onzena.

Os policiais federais se depararam com situações que indicam desvios de aproximadamente R$ 55 milhões. Teria havido superfaturamento na aquisição de máscaras de aproximadamente 500%. Uma máscara que deveria custar R$ 3 foi comprada, pelo governo, pela quantia aproximada de R$ 50. O dinheiro deveria ajudar os possíveis de Coronavírus.

Pois bem. Em Manaus (AM) houve uma crise sem precedentes no momento. Centenas de pacientes morrendo nos hospitais por falta de oxigênio. Uma situação de colapso que já havia sido prevista pelo Ministério da Saúde no começo da pandemia. Seriam necessárias condições especiais para o agravamento que não foram criadas apesar do grande volume de recursos destinados.

O governador do Piauí estava numa péssima semana. De repente, aconteceu uma tragédia ainda maior, que foi o caso de Manaus e a transferência de pacientes para Teresina. Toda a estrutura federal, do estado e do município de Teresina, na área de saúde, se voltou para recepcionar pacientes provenientes da capital do Amazonas. Eram, a princípio, 30 deles. No entanto houve problema de equipamentos nos voos. Terminaram vindo, por enquanto, nove. Outros pacientes foram encaminhados para outras Unidades da Federação.

Não se fala em outra coisa na capital e cidades do interior. Os vídeos que correm a internet mostram uma possível enfermeira em prantos num dos hospitais da capital manauara. Ela relata a situação dramática dos pacientes de covid que estariam morrendo por falta de oxigênio. Num outro, um médico tenta ressuscitar um paciente que aos poucos vai perdendo o fôlego, consequentemente, a luta pela vida. A enfermeira declina a cabeça e chora, lamentando a perda de mais uma vida. O médico aparece abalado e, antes de manifestar qualquer emoção, tem que partir para outro caso, outra tentativa, outra perda. Infelizmente.

Uma tragédia anunciada e que, infelizmente, podia ter sido evitada. E de várias razões. Com prevenção, com aplicação correta de recursos, com medidas de distanciamento social adequadas, com uso dos equipamentos de proteção individual e do álcool em gel. O reveillon funcionou como uma espécie de estopim, dizem os especialistas.

 É só no que fala. Famílias que se reúnem falam do assunto, pequenas rodas de conversas entre amigos que, aqui e acolá, se reúnem, também tratam da crise de Manaus. Wellington Dias aproveitou para externar toda a sua "solidariedade" aos que sofrem. Encaminhou um jato com equipamentos para Manaus. Mandou secretário de Saúde, Florentino Neto, fazer discurso anunciando o envio. Ele próprio aparece na mídia cúmplice entoando seu cântico demagógico. Somos solidários ao sofrimento dos nossos irmãos manauaras.

Sofrimento e tragédia para uns, oportunidade para outros. O caso de Manaus fez com que as atenções se voltassem para o sofrimento das vítimas, para o drama dos médicos e enfermeiros da capital do Amazonas, para a própria tragédia da cidade, que ainda não teve igual em nenhum outro lugar do Brasil durante a pandemia. Centenas de vidas que se perdem e, de repente, não se fala mais nos escândalos que resultaram nas operações da PF. Centenas de outras vidas que podem se perder. Tantas que por aqui mesmo já foram perdidas e que poderiam ter sido salvas se tamanha quantidade de recursos tivesse encontrado seu caminho correto.

No rumo do oportunismo que o caracteriza, o governador piauiense aproveita a crise para tentar aparecer ainda mais. Ele agora anuncia, através dos portais amigos, que orientou o governador do Amazonas, Wilson Lima, a ajustar o atendimento de pacientes. E estaria, na condição de presidente do Consórcio Nordeste, organizando uma ajuda humanitária de outros estados ao Amazonas. 

É isso mesmo. Ajuda humanitária. Na crise de proporções bíblicas, precisamos ser mais humanos ainda. Nada de resolver o problema dos natimortos na Maternidade Evangelina Rosa, afinal a construção do Hospital Maternidade de Teresina, que poderia resolver o problema (são 250 crianças natimortas por ano na Evangelina), se arrasta há dez anos e pode esperar por mais dez. Desde, claro, que sejamos solidários com os irmãos que sofrem em outros estados.

O governador do Piauí precisa ser passado a limpo. O quanto antes. (Toni Rodrigues)

Edição: Tropical Noticias

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